Câmara de Campos sem elas

A próxima legislatura da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes não terá mulheres, pois nenhuma delas conseguiu se eleger. Nesses quatro anos de primeiro mandato tive oportunidade de conviver com várias.

A situação é intrigante, pois sendo a maioria dos votantes, o sistema eleitoral não permitiu que nenhuma cadeira, das vinte e cinco existentes, pudesse ser ocupada pelo sexo feminino.  Não restam dúvidas que esse último pleito foi o mais enigmáticos de todos. A pandemia, a impressionante abstenção e a falta de fiscalização deram contornos inimagináveis às eleições de novembro.

Trata-se de uma situação estranha e desconfortável, pois a Comissão da Mulher, por exemplo, existente na Casa de Leis, pelo visto, será composta por homens. Isso não tira o mérito dos futuros ocupantes, nem é certeza de que os assuntos referentes à ala feminina não serão abordados ou postos em prática, contudo falta, sim, a representatividade feminina.

Alguns dizem que algumas articulações políticas partidárias de bastidores poderão levar, pelo menos, uma suplente a ocupar um dos assentos no legislativo municipal, contudo, até o presente, não passa de especulação.

O fato que é necessário a presença feminina nos parlamentos. Pautas como a violência doméstica, equiparação salarial, discriminação e o machismo estrutural, por exemplo, são pautas que podem até serem defendidas pelo sexo masculino, mas nunca com o domínio de causa necessário que só a própria mulher possui.

A próxima legislatura perde muito sem uma vereadora, principalmente em uma terra de expoentes femininos de grande relevância como Benta Pereira.

A movimentação das mulheres em busca da ocupação de espaços na política parte do sentido de que mesmo diante de uma igualdade alardeada aos quatro cantos é evidente que apenas esses direitos não são suficientes para mudar, pelas vias tradicionais da democracia representativa, o retrato que hoje é desenhado entre homens e mulheres em todos os níveis de poder e de representatividade.

Definitivamente foi uma eleição atípica, pois ao meu sentir é inadmissível uma Câmara de Vereadores não possuir  uma mulher eleita, afinal, se não temos na casa de Leis, o que sempre foi difícil em termos de luta por direitos, agora piora, pois há vereadores homens compromissados com as bandeiras femininas, mas nada melhor do que elas mesmas para defenderem seus direitos.

Fonte: Terceira Via

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