Em momento mais crítico da pandemia até agora, médicos do CCCC pedem medidas ainda mais restritivas

Os médicos que coordenam o Centro de Controle e Combate do Coronavírus (CCCC), mantido pela prefeitura de Campos, disseram nesta segunda-feira (5), em reunião eletrônica do Gabinete de Crise de Combate à Covid, que o comportamento do vírus faz com que o volume de pacientes que dá entrada na unidade seja superior ao da alta e que a velocidade de contágio obriga o município a manter medidas restritivas ou, até mesmo, ampliá-las. Conforme relataram os profissionais, já há pacientes dividindo cilindros de oxigênio e respiradores. (Vídeos no fim da matéria)

Patrícia Meireles, coordenadora do CCCC, observou que o quadro é dramático: “Se não arrochar as medidas restritivas, se não houver abertura de mais leitos, a escalada de óbito só vai aumentar”. E, acrescenta a coordenadora: “A velocidade de entrada do paciente é muito maior do que a velocidade de saída. Nos últimos dias a gente está vendo assustadoramente quantidade de óbitos, apesar de todo empenho, de toda estrutura, de todo corpo clinico”, disse.

“A medida restritiva que se faz neste momento não reflete para nós na ponta. A cidade precisa ser fechada, as pessoas não podem transitar na rua, tamanho é o caos que estamos vivendo. Não estou sendo dramática. Hoje eu tenho paciente dividindo cilindro de oxigênio na emergência, paciente dividindo respirador, paciente dividindo cadeira”, acrescentou a coordenadora.

Simone Serafim, coordenadora da UTI da Beneficência Portuguesa, disse: “Assusta o grande número de jovens, que já chega extremamente grave e com taxa de letalidade altíssima. Metade de meus doentes era jovens de 20 a 50 anos neste fim de semana”. E, continua: “Se as medidas restritivas não forem sérias, não sei o que será da gente. O nosso grupo médico está cansado, intubamos cinco pessoas por dia na UTI, já tivemos sete intubações no dia no CCCC. Foram quase 400 óbitos na unidade. São quase 400 histórias que temos que conversar com a família”, afirmou.

Para o subsecretário de Saúde, Paulo Hirano, não há alternativas para o município: “Não há relaxantes musculares para entubar, os médicos têm que improvisar soluções. Não há equipamentos ou profissionais médicos, é isso em todo o Brasil. Nós temos um objetivo maior, que é a vida das pessoas que está em risco. Risco esse que está sendo mitigado com a redução das pessoas. A única maneira de intervir para interromper esse fluxo desesperador são as medidas restritivas de circulação e de isolamento social. Nessa hora temos todos que nos unir para aliviar esse processo. Nós vamos chegar a um momento que terá que se escolher quem será atendido, essa é a pior situação para um médico. É preciso que a população entenda esse cenário. A única coisa que todos podem ajudar é ficar em casa, evitar contato, usar a máscara”, finalizou Paulo Hirano.

Fonte: Terceira Via