Emergência do Beda para Covid registra aumento de 75% no atendimento

O médico Pedro Conte falou sobre o aumento do atendimento a pacientes com sintomas da Covid-19 (Foto: Carlos Grevi)Na última semana, o atendimento a pacientes relacionados à Covid-19 no Hospital Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes, bateu um recorde indesejado: 773 pessoas.

Esse número é 75% maior do que o registrado na semana mais complicada na unidade durante a primeira onda da doença, que ocorreu no fim de julho, quando foram atendidos 447 pacientes. No entanto, segundo o coordenador da Emergência do Dr. Beda, o médico Pedro Conte, a tendência é de que os atendimentos relacionados ao novo coronavírus sigam em alta.O médico destacou que o perfil dos atendidos atualmente não difere dos pacientes assistidos na primeira onda da doença. São pessoas entre 20 e 40 anos, que representam 50% dos que chegam ao hospital com sintomas.

Já aqueles que têm algum fator de risco, que podem evoluir para formas mais graves da doença, somam 30%. Conte revela que o aumento do número de atendimentos começou a preocupar mais nas últimas cinco ou seis semanas, até que atingiu seu pico na semana passada. E, segundo ele, a curva está em franca ascensão e não vem mostrando tendência de que recuará tão cedo.“Nas últimas cinco, seis semanas tivemos um aumento expressivo do número de casos de síndrome respiratória tanto causada pela Covid como por outros motivos.

Mas o que temos observado é um volume muito alto no atendimento relacionado ao paciente portador da Covid-19. E isso vem preocupando bastante a gente. Só para se ter uma noção, em relação ao período de julho, que havia sido o nosso pico da doença lá atrás, temos hoje um número de atendimentos quase duas vezes maior. E em julho a cidade já teve uma dificuldade de número de leitos, principalmente na rede pública, mas atualmente o volume de paciente que a gente observa é preocupante, pois não sabemos como estará a situação daqui a duas, três semanas”, ressaltou o coordenador da Emergência do Beda.

Pedro Conte frisou que o fato de ser jovem e sem qualquer comorbidade não garante que a pessoa não possa evoluir para o quadro mais grave da Covid-19. “Nós atendemos pacientes jovens que evoluíram para formas graves, que ficaram com tempo de internação prolongado. Na maioria das vezes o jovem responde bem, mas ele pode evoluir mal também. A Covid não pula de uma pessoa para a outra, em algum momento alguém acaba tendo contato com outra pessoa ou com objetos contaminados e transmitindo o vírus.

É importante ter isso em mente porque, geralmente, o jovem é a pessoa mais ativa na família. Então, às vezes, é o próprio jovem, o filho, o neto que acaba transmitindo a doença para as pessoas mais idosas”, alertou.Na avaliação do médico, as pessoas têm relaxado em relação aos cuidados para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. “Também nos últimos meses, tenho notado que as pessoas perderam esses cuidados essenciais de evitar aglomeração, manter afastamento umas das outras.

Acredito que os hábitos de usar máscara e álcool já estão consolidados, mas a questão do distanciamento social piorou bastante e isso tem refletido nos números da doença”, pontuou

Fonte: Terceira Via